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Antroposofia e o temperamento

Antes da Era Cristã, na antiga Grécia, cultivava-se a teoria dos quatro elementos e dos quatro humores como fatores de saúde ou de doença. A partir da Antroposofia de Rudolf Steiner, iniciada no começo do século passado, essa visão ganhou caráter científico e pode ser aplicada à pedagogia e à medicina. Steiner construiu uma ponte entre a antiga medicina hipocrática e a medicina e a pedagogia modernas, relacionando corpo e alma.

Uma forma de expressão.

Temperamento é a forma de expressão da individualidade, tem muito a ver com tempero (salgado, doce, azedo e amargo), com o tempo (quente, frio, seco e úmido) e com a têmpera (cor, luz e sombra). O conjunto dessas qualidades humanas exteriorizadas pelos temperamentos foi dividido em quatro grandes grupos e seu estudo muito auxilia na maneira de lidar com cada um deles na prática. Dessa forma pretende-se que esta compreensão de si mesmo (autoconhecimento) e do outro auxilie nos relacionamentos nos âmbitos pessoal e profissional (autoeducação), ampliando e enriquecendo nossa vitalidade (corpo etérico) e assim, podermos ter liberdade de usar essa vitalidade como forma de expressão da nossa própria individualidade (livre arbítrio).

Os 4 elementos

No organismo humano, observamos a presença dos quatro Reinos da Natureza, dos quatro elementos e a distribuição deles é que faz o nosso tempero. Em cada um de nós esses elementos se colocam de forma diferenciada tanto no corpo físico quanto na nossa vida anímica (psíquica - alma). Os temperamentos são:

• Colérico – elemento fogo – Reino Humano - Decisão • Sanguíneo – elemento ar – Reino Animal - Leveza • Fleumático – elemento água – Reino Vegetal - Fluidez • Melancólico – elemento terra – Reino Mineral - Peso

Desenvolvendo os temperamentos.

As pessoas que lidam com crianças, como pais, professores, profissionais de saúde, etc., em muito se beneficiariam se estudassem sobre os quatro temperamentos. Reconhecê-los na criança e se fazerem de espelho para a própria criança se enxergar e se harmonizar, ajudando-a a corrigir-se em seus aspectos negativos e estimulando os positivos. Seria de grande auxílio para seu desenvolvimento, pois a criança está totalmente aberta para o mundo e suas características constitucionais ainda podem ser transformadas até certo ponto. Temos aqui um campo gratificante, onde podemos obter efeitos terapêuticos graças a medidas pedagógicas. No primeiro setênio podemos observar qual o tipo constitucional - 1 - cabeça grande ou cabeça pequena - que prevalece. As crianças pequenas não têm ainda um temperamento próprio definido. Elas imitam o temperamento dos pais. Só no segundo setênio, com a troca dos dentes de leite e a maturidade para o desenvolvimento intelectual, os temperamentos se revelam com a prevalência de um deles. Durante toda a vida, podemos através da autoeducação, nos desenvolver trabalhando o nosso próprio temperamento. É bom entender que o temperamento nos faz olhar o mundo de uma maneira particular, que não é necessariamente igual ao das pessoas que estão do nosso lado. É sempre importante tentarmos nos colocar no lugar do outro e olhar o mundo sob sua ótica.

Falarei sobre cada temperamento nos próximos artigos. Por ora, segue uma poesia de Heinrich Peitmann, que revela com humor como os temperamentos determinam nossas reações e nosso comportamento de modo bastante distinto:

Os quatro temperamentos e a pedra no caminho

Leve, destemido e garboso, o sanguíneo salta por sobre a pedra,

E, se acaso nela tropeça, pouco se importa.

Com fúria chuta-a de lado o vigoroso pontapé do colérico,

E seus olhos faiscantes alegram-se com o resultado.

Ao aproximar-se o fleumático, senta e agradece a Deus por lhe ter dado uma ocasião de descanso.

O melancólico, porém, fica parado diante dela,

Refletindo desgostoso sobre seu eterno azar.

E como desafio no caminho do autodesenvolvimento, Rudolf Steiner nos orienta estudar como um melancólico; interessar-se pelo mundo como um sanguíneo; fazer as coisas como um colérico e enfrentar as vicissitudes da vida como um fleumático.

Bibliografia

Burkhard, Gudrun. Tomar a vida nas próprias mãos. 2007

Bott, Victor. Medicina Antroposófica, uma ampliação da arte de curar. Volume 1. 1984.

Lievergoed, Bernard. Desvendando o crescimento. As forças evolutivas da infância e da adolescência. 2001.

Wolf, Otto. A imagem do homem como base da arte médica. Volume 1. 1978.

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